Atuação da Defesa Civil Municipal salva vidas e evita um desastre maior


O Casarão atingido era tombado no conjunto arquitetônico da Praça Cesário Alvim a nível municipal e federal

Notícia publicada em 14/01/2022
por Nathália Silva


Imagem: Ane Souz

Poucos minutos antes do deslizamento de terra no Morro da Forca, no Pilar, que aconteceu ontem, 13, a Defesa Civil de Ouro Preto estava interditando o local após o morador Pedro Bittencourt acionar o órgão por visualizar uma rachadura na encosta. A interdição foi feita de imediato pela agente Paloma Magalhães e isso evitou que pessoas se ferissem.

A massa de terra destruiu um imóvel particular e um casarão histórico que há 10 anos estavam fechados e interditados pelo risco de deslizamento. A Defesa Civil imediatamente fechou o local, os comércios próximos e acionou o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Guarda Municipal para auxiliar no controle do trânsito e orientação para a população sobre a interdição.

As ações da Defesa Civil foram de suma importância para que a área fosse isolada antes que o desastre acontecesse. Ainda há movimentação da encosta, o que impossibilita o trabalho dos agentes na desobstrução da rua que permanece interditada para passagem de veículos e pessoas.

 

Sobre o Casarão

O Solar Baeta Neves, edificado na última década do século XIX, apresenta-se como um sobrado de feição colonial com traços ecletizantes, que são próprios de sua época de construção. A feição colonial é reflexo e influência da arquitetura dominante na antiga Vila Rica, tendo por orientação modelos de sobrados setecentistas de porte e aspecto semelhantes, como a edificação de nº 31-33 na Rua Alvarenga e a que pertenceu ao Conde de Bobadela na Rua Direita.

A casa estava localizada no bairro do Pilar, na Rua Diogo de Vasconcellos. Erguido por uma tradicional família de comerciantes da região, a família Baeta Neves, o casarão foi construído dois anos após a aquisição do terreno em 1890.

Em função de sua posição privilegiada e seu valor histórico no conjunto arquitetônico de Ouro Preto, no dia 16 de dezembro de 1991, pela Lei Nº 69/91, o então prefeito Wilson Milagres autorizou a aquisição daquele solar. À época, a edificação, que se destinava à instalação de uma unidade de ensino (para o que funcionou realmente). Dez dias antes, o mesmo prefeito havia declarado o imóvel de utilidade pública, reconhecendo a posição estratégica e a singular inserção na arquitetura da cidade.

 

 

Ações sobre a preservação do casarão

Em 2012 o prefeito Angelo Oswaldo submeteu projetos junto ao governo Federal no programa PAC das Encostas para captação de recursos para investimento em medidas de contenção das várias encostas com risco de deslizamento. “No entanto, as duas últimas gestões não se manifestaram e, em 2021, com meu retorno ao governo, conseguimos resgatar o convênio e no momento, a Prefeitura aguarda posicionamento dos governos Federal e Estadual para definição das obras e locais onde ocorrerão as intervenções”, relatou o prefeito.

Segundo Antônio Simões, secretário de Obras, “as medidas adotadas no último ano foram para retomada do convênio e viabilização dos projetos de contenção que dependem agora de liberação do recurso federal e de providências do governo estadual para contração das obras. A prefeitura, visando garantir a segurança do cidadão, monitora o local 24 horas e já havia interditado os imóveis (público e privados), impedido qualquer ocupação e evitando a perda de vidas”.

Outras ações foram realizadas em 2021, como o início dos estudos geotécnicos solicitados pela Hidros (empresa gerenciadora do convênio PAC das Encostas), no qual foram solicitados pela empresa, vários pontos de sondagem rotativa em praticamente todas as áreas críticas levantadas no PAC das encostas. Em 22 de Julho de 2021, foi realizada uma reunião em Belo Horizonte com a Secretária de Obras e Urbanismo de Ouro Preto, junto ao Departamento de Edificações e Estradas de Rodagens (DER-MG) e a Hidros para dar celeridade ao início das obras do PAC, porém, sem sucesso no pedido com a justificativa que a verba das obras só iriam ser licitadas quando acabassem os projetos de todas as áreas do PAC das encostas.

Foi solicitado pela Secretaria de Obras e Urbanismo que a Hidros revisassem os pontos de sondagem rotativa, porém havia alguns pontos que não seria possível executar e, além disso, a empresa solicitou outros ensaios que antes não eram necessários. A previsão de término de todas as sondagens do PAC das encostas está prevista para terminar em meados de 2022.

A secretária de Cultura e de Turismo, Margareth Monteiro, informou que foi feito um levantamento arquitetônico da casa, em meados no ano passado, e foi constatado que o imóvel estava em boas condições de uso. “Havia uns problemas de esquadria, marcos com cupim que precisavam ser substituídos e a necessidade de uma revisão no telhado, pintura interna e externa e limpeza da casa, mas ela poderia ser ocupada. Tínhamos projetos de instalação da Secretaria de Cultura, um ponto cultural e a realização de atividades culturais em parceria com a Vale, mas com a interdição pelo PAC das encostas, não foi possível consumar a ideia”.

Margareth ainda relatou que hoje, 14, haveria uma visita para fazer uma revisão e ter um laudo mais preciso da casa, pois, há em curso o levantando dos prédios da Prefeitura que são patrimônio e precisam ser restaurados.

O Casarão é tombado no conjunto arquitetônico da Praça Cesário Alvim a nível municipal e federal e inventariado pela Prefeitura.

Alerta Meteorológico

Estado de observação
  
 
 
 
saiba mais

Receba notícias da Prefeitura

×